A página de Dados Estatísticos do Ministério do Trabalho e Emprego pode funcionar como uma central de apoio para quem deseja entender melhor os números do mercado de trabalho no Brasil. No ministeriotrabalho.org, o conteúdo pode ser apresentado como um guia informativo não oficial, reunindo explicações simples sobre as principais bases públicas usadas pelo governo para divulgar dados de emprego, vínculos formais, remuneração, estabelecimentos e movimentações do mercado de trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego mantém o Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), que reúne áreas como Novo Caged, RAIS, microdados, consultas online e painéis de acompanhamento.
O que são os dados estatísticos do Ministério do Trabalho?
Os dados estatísticos do Ministério do Trabalho e Emprego são informações públicas usadas para acompanhar o comportamento do trabalho formal no país, além de apoiar estudos, políticas públicas, reportagens, análises econômicas e consultas de cidadãos, empresas e pesquisadores. Entre as fontes mais importantes estão o Caged, o Novo Caged e a RAIS, que ajudam a medir admissões, desligamentos, estoque de empregos, remuneração média, perfil dos trabalhadores e características dos estabelecimentos.
O próprio governo informa que qualquer pessoa, física ou jurídica, pode utilizar o serviço de consulta às estatísticas da RAIS e do Caged. Também estão disponíveis ferramentas de acesso online e microdados não identificados para estudos mais detalhados.
Panorama mais recente do emprego formal no Brasil
Na divulgação oficial mais recente disponível até 30 de março de 2026, referente à competência janeiro de 2026, o Brasil registrou saldo positivo de 112.334 empregos formais, resultado de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos. Com isso, o estoque de vínculos formais ativos passou de 48,5 milhões, chegando a 48.577.979 postos de trabalho.
No acumulado dos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o saldo foi de 1.228.483 empregos formais, com crescimento de 2,6% no estoque total de vínculos. Na leitura setorial de janeiro de 2026, houve saldo positivo em Indústria, Construção, Serviços e Agropecuária, enquanto o Comércio apresentou recuo sazonal após o período de fim de ano.
Para quem acompanha a divulgação mensal, o calendário oficial do MTE indicava 31 de março de 2026 como a data prevista para publicação dos dados de fevereiro de 2026.
Principais bases de dados disponíveis
Novo Caged
O Novo Caged é a base atualmente usada para a geração das estatísticas do emprego formal no Brasil. Segundo o MTE, ele é produzido a partir de informações captadas pelos sistemas eSocial, Caged e Empregador Web, com metodologia de ajuste para preservar a qualidade e a integridade das estatísticas durante a transição entre sistemas declaratórios.
Na prática, o Novo Caged é a principal fonte para acompanhar, mês a mês, quantas vagas com carteira assinada foram criadas ou encerradas no país. É por meio dele que se observa o saldo mensal de empregos formais, os setores com melhor desempenho e a evolução do estoque de vínculos celetistas.
RAIS
A RAIS, sigla para Relação Anual de Informações Sociais, é uma base anual muito usada para análises estruturais do mercado de trabalho. Ela permite observar indicadores como estoque de empregos em 31 de dezembro, atividade econômica, tamanho do estabelecimento, faixa etária, grau de instrução, gênero, ocupação, remuneração média, tempo de serviço e causa do desligamento.
Além do uso estatístico, a RAIS também tem importância prática para o trabalhador, pois constitui fonte relevante para comprovação de vínculos e tempo de serviço, além de servir de apoio para finalidades como abono salarial, FGTS e comprovação de experiência profissional.
A página oficial da RAIS 2024 disponibiliza material de divulgação, incluindo apresentação, sumário executivo, tabelas, painel de informações e microdados, além de permitir consulta a anos anteriores.
Caged
O Caged tradicional é um cadastro histórico de admissões e desligamentos de trabalhadores regidos pela CLT. O MTE descreve essa base como uma fonte nacional de periodicidade mensal, criada para acompanhar e fiscalizar os processos de contratação e dispensa, além de apoiar políticas de combate ao desemprego e o pagamento do seguro-desemprego.
Embora o acompanhamento mais atual do emprego formal tenha migrado para o Novo Caged, o Caged continua sendo referência importante para séries históricas, estudos conjunturais e comparações metodológicas.
Painéis, consultas e plataformas oficiais
O PDET reúne uma série de ferramentas de consulta pública, incluindo meses anteriores do Caged, acesso online às bases de dados, anuário RAIS, perfil do município, mapa do emprego formal, microdados RAIS e Caged e ligação com o Observatório Nacional do Mercado de Trabalho.
Outra ferramenta importante é o Painel de Indicadores da Rede de Observatórios do Trabalho, lançado pelo MTE em parceria com o BID. Esse painel integra dados de PNAD Contínua, RAIS e Caged em um único ambiente digital, com filtros por território, setor, gênero, raça/cor e faixa etária, facilitando análises sobre ocupação, informalidade, variação de vínculos e desigualdades regionais.
Microdados e dados abertos
Para usuários que desejam aprofundar análises, o Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza microdados não identificados da RAIS, do Caged Estatístico e do Novo Caged. Esses arquivos são oferecidos em formato texto e podem ser utilizados em aplicativos estatísticos como R, SPSS e SAS.
Além disso, o órgão mantém sua área de Dados Abertos, informando que os dados públicos são disponibilizados em meio digital e formato aberto, com objetivo de ampliar transparência, publicidade, eficiência e controle social. Na página institucional, o MTE informa a vigência do Plano de Dados Abertos 2025/2027, instituído por portaria publicada em dezembro de 2025.
Como interpretar os números corretamente
Ao consultar os dados estatísticos do Ministério do Trabalho e Emprego, é importante entender que nem todo indicador mede a mesma coisa. O Novo Caged acompanha principalmente o emprego formal com carteira assinada, com divulgação mensal. Já a RAIS é uma base anual, mais detalhada e útil para análises estruturais sobre perfil ocupacional, remuneração e características dos vínculos e estabelecimentos.
Também é importante diferenciar registros administrativos e pesquisas domiciliares. O MTE explica que registros administrativos, como RAIS e Caged, têm grande alcance territorial e forte detalhamento no nível de estabelecimento e vínculo, enquanto pesquisas domiciliares, como a PNAD Contínua, trabalham com outra metodologia e ajudam a observar também aspectos do mercado informal e da ocupação fora do emprego celetista formal.
Para que servem essas estatísticas?
Essas estatísticas podem ser úteis para diferentes públicos. O trabalhador pode usar os dados para entender tendências de contratação e acompanhar indicadores do setor onde atua. Empresas podem utilizar as informações para observar o comportamento do mercado e comparar desempenho regional. Jornalistas, estudantes, pesquisadores e gestores públicos encontram nessas bases um material valioso para diagnósticos, comparações e produção de conteúdo confiável. O próprio MTE destaca que o acesso amplo aos dados busca dar transparência ao mercado de trabalho formal e ampliar a utilidade pública da informação.
