Emprego formal alcança 57,2% dos jovens ocupados no Brasil, aponta estudo do MTE


Análise do Mercado de Trabalho Juvenil

Um estudo recente conduzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) evidencia que 57,2% dos jovens com idades entre 14 e 24 anos estão empregados de maneira formal no Brasil. Este dado foi revelado no relatório anual intitulado “Os Jovens no Brasil – Permanências e necessidades de mudança”, publicado durante um evento do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em São Paulo. A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, apresentou essas informações com base em dados coletados no primeiro trimestre de 2026 através da PNAD Contínua, que foi ajustada pelo MTE e complementada com informações do RAIS e eSocial.

Dados Recentes sobre Emprego Formal

O relatório fornece uma visão abrangente do panorama juvenil no Brasil, com aproximadamente 32,9 milhões de jovens representando 15,4% da população total. Desses, 13,9 milhões estão ocupados, o que demonstra um aumento de 569 mil jovens empregados em comparação com os níveis que antecederam a pandemia. Essa recuperação ressalta o crescimento do emprego entre os jovens, mas ainda é preciso garantir a qualidade e a permanência nesses postos de trabalho.

Impacto da Educação na Empregabilidade

Um fator crucial ressaltado no estudo é a importância da formalização precoce. Destaca-se que 57,8% dos jovens em empregos formais possuem carteira assinada, totalizando aproximadamente 8 milhões de jovens, de acordo com dados do RAIS de 2025. A inserção no mercado de trabalho formal proporciona não somente a compreensão das normas e benefícios desse ambiente, mas também uma experiência prática que pode influenciar a trajetória profissional futura. A formação acadêmica também é um ponto chave, com 73% dos jovens ao menos com o ensino médio completo.

Desafios da Permanência no Emprego

Conforme Paula Montagner, muitos jovens enfrentam a dificuldade de permanecer em suas ocupações. Mais da metade dos adolescentes, ou seja, 52% dos jovens de 14 a 17 anos, abandonam seus empregos em menos de um ano. Isso ocorre frequentemente à procura de outras oportunidades que ofereçam melhores condições. Já para os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de rotatividade cai para 38,2%, enquanto que entre os de 25 a 29 anos, é de 25,3%. A falta de investimento por parte das empresas em desenvolvimento profissional, aliada a salários baixos e jornadas longas, contribui para a insatisfação e saída dos jovens do mercado.

Importância da Formalização para Jovens

A formalização dos contratos de trabalho desde o início da vida profissional representa um aspecto fundamental na construção da carreira dos jovens. Ao conhecer os direitos e deveres que possuem, esses jovens podem tomar decisões mais informadas sobre suas carreiras e ter mais chances de recuperação em períodos de crise no mercado de trabalho. É vital que se ofereçam oportunidades que incentivem a formação e a prática desde cedo, visando não apenas subsistência, mas a construção de uma carreira sólida.

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Mudanças nas Taxas de Informalidade

Comparado aos períodos anteriores, as taxas de informalidade entre os jovens reduziu substancialmente. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de informalidade caiu de 80% para 72,8% na faixa etária de 14 a 17 anos e de 44,3% para 39,4% no grupo de 18 a 24 anos. Os índices de desocupação e subocupação também apresentaram uma queda, atingindo os menores níveis desde o início da série histórica em 2012. Para o grupo de 18 a 24 anos, existem 2,7 milhões de desocupados, enquanto 586 mil jovens de 14 a 17 anos se encontram nessa situação.

Perfil dos Jovens Empregados

O perfil desses jovens indica uma concentração significativa em funções que não exigem qualificações específicas. Aproximadamente 84% dos jovens empregados se encontram em ocupações generalistas no comércio e serviços. De um total de 11,6 milhões de jovens em funções, cerca de 7,8 milhões recebem até 1,5 salário mínimo, enquanto 2,7 milhões ganham até um salário mínimo. O número de jovens empregados em áreas técnicas ou de nível superior é alarmantemente baixo, com apenas 2,15 milhões.

Setores com Maior Emprego Jovem

As funções mais frequentes incluem balconistas e vendedores, com um total de 1,24 milhão, seguidos por 1,07 milhão de escriturários gerais. Esses cargos frequentemente passíveis a mudanças devido a tarefas repetitivas, têm o potencial de serem substituídos pela automação. Portanto, é crucial que os jovens busquem se aprimorar e utilizar ferramentas tecnológicas, como a Inteligência Artificial (IA), para se manterem relevantes no mercado.

Estágios e Aprendizagem Profissional

No Brasil, existem atualmente 1,77 milhão de estagiários, dos quais 86% atuam em modalidades não obrigatórias e recebem uma bolsa média de aproximadamente R$ 1.075. Para os aprendizes, o número total de jovens registrados é de 716.742, com uma média salarial de R$ 1.160,17, o que representa um crescimento considerável em comparação ao ano anterior, quando eram 644.851 jovens. Contudo, é necessário que esses jovens estejam mais inseridos em setores que ofereçam especializações.

Perspectivas Futuras para o Trabalho Juvenil

Para enfrentar os desafios existentes no mercado de trabalho juvenil, é essencial implementar estratégias que promovam a educação e a qualificação. Políticas como o programa Pé-de-Meia e a educação de jovens e adultas (EJA) profissionalizante devem ser fortalecidas, além da oferta de cursos online para evitar a evasão escolar. É igualmente importante criar uma conexão robusta entre trabalho e formação, posicionando a aprendizagem e os estágios como peças fundamentais para uma inserção no mercado mais qualificada. Além disso, ações voltadas a auxiliar jovens que estão fora do mercado de trabalho ou da educação são fundamentais para garantir que consigam retornar ao sistema e ter acesso a postos de trabalho dignos e remuneração justa.

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